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Bianca Zasso

Quando se é adolescente tudo é mais intenso. Quando erramos, erramos feio. Quando arriscamos, arriscamos tudo.

 E quando amamos, amamos muito. É tão forte que, na maioria das situações, deixamos a razão de lado e o guia das atitudes passa a ser o coração. A discussão sobre o que deve pesar na hora de uma decisão, se a razão ou a emoção existe desde que o mundo é mundo e rendeu, e rende até hoje, ótimos livros e filmes.

Mas poucos autores conseguiram a maestria de falar de sentimentos de uma forma inteligente e sensível como a inglesa Jane Austen.  Suas obras já foram adaptadas para o cinema e a TV dezenas de vezes, mas me arrisco a dizer que a mais bela delas é a versão de 1995 de Razão e Sensibilidade.

Dirigido por Ang Lee e com roteiro da atriz Emma Thompson (uma apaixonada por Jane Austen), o filme conseguiu a proeza de trazer para as telas todo o clima do século XIX e suas regras rígidas de conduta. O desejo velado é uma constante na vida dos jovens da época. Na trama, as irmãs Elinor, a racional, e Marianne, a sentimental, vêem suas chances de bom casamento irem por água abaixo com a morte do pai, já que herança ficará para o irmão mais velho. Sem dote e morando de favor, Elinor, Marianne, a pequena e esperta Margareth e a mãe têm que manter a pose, apesar da mesa não ser mais farta e os vestidos necessitarem de remendos.

É nesse momento que dois rapazes aparecem para causar pulos no coração de ambas, cada uma a seu modo. Elinor, mais discreta, pouco demonstra seu interesse pelo atrapalhado Edward Ferrars. Do outro lado da moeda, Marianne ruboriza só de chegar perto do bonitão John Willoughby. Guardando sentimentos a sete chaves ou chorando até se acabar sem vergonha nenhuma, as irmãs vão se deparando com situações reveladoras sobre a personalidade de seus amados. E como a fofoca existe desde muito antes do século XIX, os boatos correm e as descobertas tomam proporções bem maiores.

É comum em produções de época que se dê mais valor a elementos como fotografia e figurino, já que a grandiosidade de penduricalhos e tecidos era a principal característica da época. Mas a equipe de produção do filme, guiada pelas mãos orientais e pacientes de Ang Lee, optou por ir além dos bailes de gala e das carruagens. Na maioria das cenas, os personagens aparecem com “roupas de casa”, mais simples e adequadas para os afazeres domésticos.

O que parece apenas uma forma de apresentar com mais naturalidade o cotidiano de um outro tempo, é a chave para deixar o público focado na história e suas reviravoltas rápidas e devastadoras.

Palavras que caracterizam compromissos e cartas cheias de declarações de amor são apenas alguns dos ingredientes que faziam o caldo do romance ferver naqueles tempos. Jane Austen, como boa observadora, trouxe seu dia-a-dia de moça simples e apaixonada para as páginas dos livros. A intensidade de sua escrita é tamanha que agrada desde as garotinhas até mulheres maduras. Na tela grande, não foi diferente. Razão e Sensibilidade foi indicado a 7 Oscars e levou dois Globos de Ouro, incluindo melhor filme. Uma prova de que a fórmula para unir razão e emoção rende boas histórias desde os tempos do galanteios.

Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility)

Direção: Ang Lee

Ano: 1995

Disponível em DVD

 

 

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