jan
12


Bianca Zasso

A adolescência é sem dúvida uma das fases da vida mais exploradas pelo cinema. Também pudera, já que é a época das descobertas, das aventuras e dos ritos de passagem que vão marcar nossa vida para sempre.

Para o bem e para o mal. Seja no musical Grease- Nos tempos da Brilhantina, no clássico comovente A última sessão de cinema ou no recente Antes que o mundo acabe, da gaúcha Ana Luiza Azevedo, a adolescência ganha as telas e acaba fazendo parte da nossa vida, já que é difícil lembrar dessa fase sem lembrar dos filmes que nos marcaram. E um diretor que marcou a adolescência de muita gente também deixou sua marca de juventude em vinte e quatro quadros por segundo.

George Lucas era um recém-formado em cinema e o seu clássico Star Wars ainda era um embrião em 1973, ano em que ele nos presenteou com American Graffiti, o pai de todos os filmes que tratam da despedida do colegial. A trama, ambientada em 1962, narra a última noite de dois amigos, Curt e Steve, numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos.

A escola é coisa do passado e na manhã seguinte um avião os espera para ganharam o rumo da tão sonhada faculdade. O clima quente do verão, os carrões pilotados por jovens em busca de diversão madrugada adentro e o rockabilly que ecoava nos auto-falantes dão o clima do filme. Mesmo com dois protagonistas, as aventuras vividas por Curt e Steve são apenas detalhes dentro da trama, que tem pequenas histórias dos coadjuvantes muito bem elaboradas, como se fossem curtas-metragem.

A edição de som, um dos grandes trunfos do filme, foi premiada e até hoje é citada em cursos de cinema como um belo exemplo de unir som e imagem. E por falar em prêmios, American Graffiti teve cinco indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Diretor, além de levar o famoso Leopardo de Bronze no Festival de Locarno, na Itália.

American Graffiti tem produção do amigo e colega de faculdade de Lucas, Francis Ford Coppola, na época um iniciante. Mas não é só na técnica que os nomes são conhecidos. Um imberbe Richard Dreyfuss e um sardento Ron Howard (diretor de Uma Mente Brilhante) interpretam os protagonistas de um elenco que conta com o apoio de Dustin Hoffmann e Harrison Ford na pele de um bonitão chegado em pisar no acelerador. Na época do lançamento do filme, eles não passavam de jovens em busca de um lugar ao sol em Hollywood. Quem diria que na sequência “só” Guerra nas Estrelas e Indiana Jones entrariam para o currículo dessa gurizada.

A trilha sonora de American Graffiti merecia uma análise exclusiva. São tantos clássicos que há momentos em que a gente não sabe se assiste aos filme ou levanta da cadeira e sai dançando. The Beach Boys, Chuck Berry e The Platters são apenas alguns dos nomes que dão ritmo às cenas engraçadas, românticas e eletrizantes que permeiam o filme. A começar pelos créditos de abertura, ao som de Rock around the clock, de Bill Haley. É pra começar a exibição com o pé direito batendo no chão, seguindo o compasso. Isso sem contar o personagem Wolfman, um radialista que influencia a cidade inteira tocando rock’n’roll e mandando recadinhos nada inocentes.

No Brasil, o filme ganhou o dispensável subtítulo de Loucuras de Verão, talvez visando a exibição em alguma Sessão da Tarde da vida. Mas ao invés de tornar-se mais um filme juvenil na prateleira da locadora, American Graffiti marcou uma época e criou a cartilha seguida até hoje por diretores que querem cativar o público adolescente. Mas só há um American Graffiti, que constrói sem lições de moral baratas uma história sobre a perda da inocência que, uma hora ou outra, bate a nossa porta.

Dica da Bia: O diretor George Lucas lançou, em 1979, More American Graffiti – E a festa acabou, uma sequência que mostra a entrada na vida adulta dos personagens. Não é um grande filme, mas vale como diversão e para atiçar nossa imaginação para saber o que houve após o “The End”.
Dica da Bia parte II- A missão: Preste atenção na placa do carro de John Milder, THX 1138. Este é o título do filme anterior de George Lucas, uma das melhores ficções-científicas de todos os tempos.
American Graffiti – Loucuras de Verão (American Graffiti)

Ano: 1973
Direção: George Lucas
Disponível em DVD

jan
5

Bianca Zasso

Quando se é adolescente tudo é mais intenso. Quando erramos, erramos feio. Quando arriscamos, arriscamos tudo.

 E quando amamos, amamos muito. É tão forte que, na maioria das situações, deixamos a razão de lado e o guia das atitudes passa a ser o coração. A discussão sobre o que deve pesar na hora de uma decisão, se a razão ou a emoção existe desde que o mundo é mundo e rendeu, e rende até hoje, ótimos livros e filmes.

Mas poucos autores conseguiram a maestria de falar de sentimentos de uma forma inteligente e sensível como a inglesa Jane Austen.  Suas obras já foram adaptadas para o cinema e a TV dezenas de vezes, mas me arrisco a dizer que a mais bela delas é a versão de 1995 de Razão e Sensibilidade.

Dirigido por Ang Lee e com roteiro da atriz Emma Thompson (uma apaixonada por Jane Austen), o filme conseguiu a proeza de trazer para as telas todo o clima do século XIX e suas regras rígidas de conduta. O desejo velado é uma constante na vida dos jovens da época. Na trama, as irmãs Elinor, a racional, e Marianne, a sentimental, vêem suas chances de bom casamento irem por água abaixo com a morte do pai, já que herança ficará para o irmão mais velho. Sem dote e morando de favor, Elinor, Marianne, a pequena e esperta Margareth e a mãe têm que manter a pose, apesar da mesa não ser mais farta e os vestidos necessitarem de remendos.

É nesse momento que dois rapazes aparecem para causar pulos no coração de ambas, cada uma a seu modo. Elinor, mais discreta, pouco demonstra seu interesse pelo atrapalhado Edward Ferrars. Do outro lado da moeda, Marianne ruboriza só de chegar perto do bonitão John Willoughby. Guardando sentimentos a sete chaves ou chorando até se acabar sem vergonha nenhuma, as irmãs vão se deparando com situações reveladoras sobre a personalidade de seus amados. E como a fofoca existe desde muito antes do século XIX, os boatos correm e as descobertas tomam proporções bem maiores.

É comum em produções de época que se dê mais valor a elementos como fotografia e figurino, já que a grandiosidade de penduricalhos e tecidos era a principal característica da época. Mas a equipe de produção do filme, guiada pelas mãos orientais e pacientes de Ang Lee, optou por ir além dos bailes de gala e das carruagens. Na maioria das cenas, os personagens aparecem com “roupas de casa”, mais simples e adequadas para os afazeres domésticos.

O que parece apenas uma forma de apresentar com mais naturalidade o cotidiano de um outro tempo, é a chave para deixar o público focado na história e suas reviravoltas rápidas e devastadoras.

Palavras que caracterizam compromissos e cartas cheias de declarações de amor são apenas alguns dos ingredientes que faziam o caldo do romance ferver naqueles tempos. Jane Austen, como boa observadora, trouxe seu dia-a-dia de moça simples e apaixonada para as páginas dos livros. A intensidade de sua escrita é tamanha que agrada desde as garotinhas até mulheres maduras. Na tela grande, não foi diferente. Razão e Sensibilidade foi indicado a 7 Oscars e levou dois Globos de Ouro, incluindo melhor filme. Uma prova de que a fórmula para unir razão e emoção rende boas histórias desde os tempos do galanteios.

Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility)

Direção: Ang Lee

Ano: 1995

Disponível em DVD

 

 

jan
5

 

Por: Bianca Zasso

Imagine que você mora numa casa estranha, com hábitos muito diferentes dos seus.

Você não se sente confortável, mas é a única saída. A porta está trancada e você não tem como escapar. O jeito é se adaptar e arquitetar um plano de fuga. Mas mesmo que você vá embora, nada será como antes.  É essa extrema claustrofobia que faz de A Pele que Habito, de Pedro Almodóvar um filme único, apesar das inúmeras referências.

Como bom cinéfilo que é ,Almodóvar foi buscar em seus filmes preferidos detalhes para construir a história de A Pele que Habito. Mesmo que o cartaz do filme informe que a produção é inspirada no livro Tarântula, do escritor francês Thierry Jonquet, não há como negar a presença de dois clássicos do cinema de terror dentro da trama: A Noiva do Frankenstein, de James Whale e Os Olhos sem Rosto, de George Franju.  Da ótima sequência do clássico Frankenstein ,de 1931, estrelada pelo sempre assustador Boris Karloff o diretor espanhol trouxe a exuberância das imagens de corpos sendo moldados, construídos e desconstruídos. Já do filme francês, lançado em 1960, Almodóvar buscou o desespero psicológico angustiante, um terror sem sustos nos corredores.  Com essa mistura ousada, A Pele que Habito resulta num filme de terror que nos dá medo por suas situações e não por seus monstros. A “aberração” que nos é apresentada pelo protagonista passa longe da feiúra, é delicada e feminina. Um “monstro” que, ao invés de provocar arrepios, nos clama misericórdia.

Fazer uma sinopse mais profunda de A Pele que Habito seria estragar a surpresa e o ápice do filme que, em seus longos flashbacks, nos apresenta a jornada que transformou o cirurgião Roberto Ledgard em um homem obcecado por vingar o suposto estupro da filha. Mas será apenas vingança ou há por trás do renomado médico um cientista louco escondido?

A Pele que Habito é um marco na carreira de Almodóvar que, mesmo sem perder o estilo excêntrico herdado pela Movida Madrileña, movimento cultural onde ele iniciou sua vida de cineasta, ganhou uma elegância que filmes como De Salto Alto e Kika não apresentam. Um Almodóvar maduro, mas fiel às suas raízes loucas e entorpecidas dos anos 80.

Medo, ciência, loucura, voyerismo. Tudo isso se mistura criando um DNA único. Não é preciso mais o vermelho-sangue nos figurinos e nos cenários. O que faz A Pele que Habito ser Almodóvar até a última gota são os detalhes.

A pele que habito (La piel que habito)

Ano: 2011

Direção: Pedro Almodóvar

Páginas de posts 2 de 5312345102030...Último »
Infinity Mídia
Anuncie Aqui • Internet
Datas comemorativas • Dia das mães 2011
© 2010 - Todos os direitos reservados a Infinity Mídia Ltda • Desenvolvido por Fischer IT • Deus é fiel!